"Mas de que serve a matematica no final das contas, professor?"
Pergunta idiota feita pela maior partes dos alunos que seram "o futuro da nação".
Vou tentar ser ousado e escrever um pouco sobre matemática, mas fique tranqüilo, esse não vai ser um ensaio sobre como podemos usar uma equação de primeiro grau em uma receita de broa de milho (perdão a todos os matemáticos pelo infame trocadilho, às vezes uma piadinha sobre algum assunto é um modo de fantasiar nossa ignorância sobre o mesmo).
Sentir medo de algo que não conhecemos é uma forma de alta preservação, que alias era o que senti quando uma das sobrancelhas de Matt arqueou e um sorriso do tipo “vamos ver” apareceu em seu rosto acompanhado de um olhar fuzilante sobre mim.
“opa, lá vem chumbo grosso!” pensei enquanto remexia na cadeira da praça de alimentação como um camundongo acuado a mercê de um falcão. Porem mantive o sorriso amarelo que ostentava como único blefe na manga.
- Certo. – quebrou finalmente o silencio – me responda Cris, quanto é 1 + 1?
“Pense antes de responder” mesmo sabendo que uma pergunta como essa era óbvia não poderia subestimar um veterano professor de matemática, com certeza era uma armadilha, resolvi então aceitar o convite para um dialogo cientifico e cai como um cordeirinho.
- Dois. – respondi desconfiado – certo?
O sorriso no rosto de Matt alargou-se mais.
- Errado.
Como assim? Por debaixo da mesa longe dos olhos que me engoliam contei com os dedos e juntando-os formavam um par de dedos. “Tenho de parar de roer as unhas”, pensei.
- Porque estou errado? – retruquei já em desvantagem.
Nesse momento a sobrancelha que quase tocava o teto desceu e juntou-se ao resto do rosto de Matt para formar uma face serena e adorável. Um professor havia encontrado um aluno.
- Antes de responder – começou ele – tente imaginar uma reta, ou melhor, uma régua. Cheia de números. Esta conseguindo me acompanhar?
- Sim! – respondi absorto em minha imaginação.
- Ótimo! – continuou ele – concentre-se nos números zero e um, no espaço existente entre eles. – esperou alguns segundos como se esperasse a formação da imagem em minha cabeça – agora me diga o que há no meio da distancia entre o zero e o um?
Escutei grilos cantando a minha volta com aquela pergunta.
“E eu vou lá saber?!”, pensei um tanto quanto atônito, “sempre levei bomba em matemática no colegial”.
- ahm... – pensei bem – não sei. O que?
A cabeça de Matt despencou dos ombros e pendeu sobre o peito, decepcionado tentou me estimular.
- Vamos Cris – vociferou dessa vez – se do zero ao um existe um centímetro, certamente do zero ao meio nos teremos...?
-... Meio centímetro? – respondi com uma careta, meio incrédulo se estava certo.
- Correto! – parabenizou-me com um pulinho da cadeira e batendo forte com as duas mãos, “estamos progredindo aqui”. – Ou que no caso seria... – rabiscou algo em um guardanapo, girou e empurrou com a ponta dos dedos para mim – 0,5 cm.
- Tudo bem, mas e daí? – Estava ficando impaciente tentando entender onde ele queria chegar com aquela lição de quarta serie.
- calma, vamos chegar lá – respondeu com tom paciente – mas se lhe perguntar o que existe entre o zero ao meio, do zero ao 0,5?
Dessa vez só precisei dar ignição para o motor pegar no tranco.
- Metade da metade – respondi triunfante – 0,05, certo professor?
- corretíssimo! – respondeu ele. “estamos quase lá” – então se eu te perguntar “e depois”?
- Seria 0,005 – respondi.
- E depois...? – insistiu ele.
- 0,0005.
- E depois...?
- 0,00005.
- E depois...?
- Aonde você quer chegar? – perguntei sem o mínimo de paciência para responder.
-... E se assim continuarmos dividindo esses centímetros em números cada vez menores e longos, qual será a distancia percorrida do zero ao um?
Os grilos voltaram a cantar em minha cabeça. Fiz cara de idiota.
- Infinita?! – chutei a primeira coisa que surgiu na minha cabeça.
- Pronto! – gritou Matt satisfeito com a resposta que ouvirá – dessa forma, se do zero ao um existe uma infindável quantidade de números, uma distancia sem fim, como 1+1 pode ser dois?
Agora eu acabava de entender o porquê de Newton ter tido uma revelação cientifica da lei da gravidade quando por acidente uma maçã despencou sobre sua cabeça. A verdade caiu sobre ele.
Mas no meu caso foi um pouco diferente sendo que fora um acidente de percurso, mas sim Matt jogando um elefante vermelho sobre mim. “Please, alguém pode tirar esse ônibus de cima de mim?”
Estava tão boquiaberto com aquilo que nem me importei com o frio do chão em meu queixo.
- Acho que entendi – disse revirando na cadeira – Mas deixe tudo preto no branco, explique melhor.
- É simples – recomeçou ele – de um numero para outro existe uma imensidão numérica, um infinito de um para o outro, então é impossível sair do centímetro zero e ir para o dois. Não é possível percorrer um infinito, como também não é viável somar um infinito com outro como se fosse algo finito.
Nesse estante estava tão petrificado que nem percebi que havia uma mosca nadando em meu café.
“Um mais um não é dois, foi isso mesmo que ele disse?”
“Há um infinito dentro de um centímetro?”
“não é possível somar um infinito a outro?”
Minha cabeça girava. Num impulso agarrei a xícara de café frio sobre a mesa e o engoli, em contra partida, a mosca também.“Meu Deus!” pensei olhando para o fundo da xícara, “preciso de mais café!”
Vou tentar ser ousado e escrever um pouco sobre matemática, mas fique tranqüilo, esse não vai ser um ensaio sobre como podemos usar uma equação de primeiro grau em uma receita de broa de milho (perdão a todos os matemáticos pelo infame trocadilho, às vezes uma piadinha sobre algum assunto é um modo de fantasiar nossa ignorância sobre o mesmo).

Sentir medo de algo que não conhecemos é uma forma de alta preservação, que alias era o que senti quando uma das sobrancelhas de Matt arqueou e um sorriso do tipo “vamos ver” apareceu em seu rosto acompanhado de um olhar fuzilante sobre mim.
“opa, lá vem chumbo grosso!” pensei enquanto remexia na cadeira da praça de alimentação como um camundongo acuado a mercê de um falcão. Porem mantive o sorriso amarelo que ostentava como único blefe na manga.
- Certo. – quebrou finalmente o silencio – me responda Cris, quanto é 1 + 1?
“Pense antes de responder” mesmo sabendo que uma pergunta como essa era óbvia não poderia subestimar um veterano professor de matemática, com certeza era uma armadilha, resolvi então aceitar o convite para um dialogo cientifico e cai como um cordeirinho.
- Dois. – respondi desconfiado – certo?
O sorriso no rosto de Matt alargou-se mais.
- Errado.
Como assim? Por debaixo da mesa longe dos olhos que me engoliam contei com os dedos e juntando-os formavam um par de dedos. “Tenho de parar de roer as unhas”, pensei.
- Porque estou errado? – retruquei já em desvantagem.
Nesse momento a sobrancelha que quase tocava o teto desceu e juntou-se ao resto do rosto de Matt para formar uma face serena e adorável. Um professor havia encontrado um aluno.
- Antes de responder – começou ele – tente imaginar uma reta, ou melhor, uma régua. Cheia de números. Esta conseguindo me acompanhar?
- Sim! – respondi absorto em minha imaginação.
- Ótimo! – continuou ele – concentre-se nos números zero e um, no espaço existente entre eles. – esperou alguns segundos como se esperasse a formação da imagem em minha cabeça – agora me diga o que há no meio da distancia entre o zero e o um?
Escutei grilos cantando a minha volta com aquela pergunta.
“E eu vou lá saber?!”, pensei um tanto quanto atônito, “sempre levei bomba em matemática no colegial”.
- ahm... – pensei bem – não sei. O que?
A cabeça de Matt despencou dos ombros e pendeu sobre o peito, decepcionado tentou me estimular.
- Vamos Cris – vociferou dessa vez – se do zero ao um existe um centímetro, certamente do zero ao meio nos teremos...?
-... Meio centímetro? – respondi com uma careta, meio incrédulo se estava certo.
- Correto! – parabenizou-me com um pulinho da cadeira e batendo forte com as duas mãos, “estamos progredindo aqui”. – Ou que no caso seria... – rabiscou algo em um guardanapo, girou e empurrou com a ponta dos dedos para mim – 0,5 cm.
- Tudo bem, mas e daí? – Estava ficando impaciente tentando entender onde ele queria chegar com aquela lição de quarta serie.
- calma, vamos chegar lá – respondeu com tom paciente – mas se lhe perguntar o que existe entre o zero ao meio, do zero ao 0,5?
Dessa vez só precisei dar ignição para o motor pegar no tranco.
- Metade da metade – respondi triunfante – 0,05, certo professor?
- corretíssimo! – respondeu ele. “estamos quase lá” – então se eu te perguntar “e depois”?
- Seria 0,005 – respondi.
- E depois...? – insistiu ele.
- 0,0005.
- E depois...?
- 0,00005.
- E depois...?
- Aonde você quer chegar? – perguntei sem o mínimo de paciência para responder.
-... E se assim continuarmos dividindo esses centímetros em números cada vez menores e longos, qual será a distancia percorrida do zero ao um?
Os grilos voltaram a cantar em minha cabeça. Fiz cara de idiota.
- Infinita?! – chutei a primeira coisa que surgiu na minha cabeça.
- Pronto! – gritou Matt satisfeito com a resposta que ouvirá – dessa forma, se do zero ao um existe uma infindável quantidade de números, uma distancia sem fim, como 1+1 pode ser dois?
Agora eu acabava de entender o porquê de Newton ter tido uma revelação cientifica da lei da gravidade quando por acidente uma maçã despencou sobre sua cabeça. A verdade caiu sobre ele.
Mas no meu caso foi um pouco diferente sendo que fora um acidente de percurso, mas sim Matt jogando um elefante vermelho sobre mim. “Please, alguém pode tirar esse ônibus de cima de mim?”
Estava tão boquiaberto com aquilo que nem me importei com o frio do chão em meu queixo.
- Acho que entendi – disse revirando na cadeira – Mas deixe tudo preto no branco, explique melhor.
- É simples – recomeçou ele – de um numero para outro existe uma imensidão numérica, um infinito de um para o outro, então é impossível sair do centímetro zero e ir para o dois. Não é possível percorrer um infinito, como também não é viável somar um infinito com outro como se fosse algo finito.
Nesse estante estava tão petrificado que nem percebi que havia uma mosca nadando em meu café.
“Um mais um não é dois, foi isso mesmo que ele disse?”
“Há um infinito dentro de um centímetro?”
“não é possível somar um infinito a outro?”
Minha cabeça girava. Num impulso agarrei a xícara de café frio sobre a mesa e o engoli, em contra partida, a mosca também.“Meu Deus!” pensei olhando para o fundo da xícara, “preciso de mais café!”
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